Joanna

 

 

CD-EM NOME DE JESUS
JOANNA INTERPRETA PE.ZEZINHO

           

 

 

Homenageando os 45 anos de carreira do Pe. Zézinho e agradecendo os seus 30 anos de canções Joanna nos oferece um trabalho que a todos transporta aos tempos de meninice e adolescência. O trabalho do Pe. Zezinho é, no panorama da música gospel de língua portuguesa, a referência pioneira. Num tempo em que a Igreja Católica se afirmava com força esmagadora entre os cristãos, foram as suas palavras e melodias que embalaram milhares e milhares de jovens, tanto no Brasil, como nos restantes países que pelo mundo falam a nossa língua.

            A poucos estranhará esta incursão de Joanna pela música gospel. Recordemos que este percurso começou com a canção “A Padroeira” (junho de 2001) tema de abertura da novela com o mesmo nome, a qual se prolongou durante 8 meses no ar (Rede Globo de Televisão). A repercussão deste trabalho inaugurou uma tendência que levou a própria artista (com o belíssimo Joanna em Oração, CD dedicado na sua maior parte a Maria mãe de Jesus, lançado em 2002) e outras vozes da MPB, no estrito vivenciar da sua coerência de fé, à abordagem gospel. Disso são exemplo, Elba Ramalho no seu trabalho “Coração de mãe” e Maria Bethânia com a sua obra Cânticos, Preces, Súplicas à Senhora dos Jardins do Céu, em (2003).

            Este disco abre com um poderoso hino de fé Em nome de Jesus. Nesta melodia de sabor arcaico, a palavra luz rimando com o nome do Salvador testemunha a certeza de que todas as nossas forças se alicerçam na crença da mensagem de Cristo. Esta é a canção que esclarece o propósito de todo o disco. Uma verdadeira Proposição à maneira das narrativas épicas clássicas.

            A segunda faixa do disco Há um barco esquecido na praia transporta-nos para as poderosas parábolas do Novo Testamento. O Mestre anuncia a João e Tiago que a missão dos escolhidos é serem pescadores de homens. A letra sugere-nos que só alcançaremos o sentido de nossas vidas quando deixarmos para trás os barcos carregados de vazio  em que navegamos e nos concentrarmos no mais profundo dos nossos sonhos. Pela luz, tal como a primeira canção acentua, a revelação nos será oferecida.

            Numa clara alusão à necessidade de crescimento interior se faz o alinhamento da próxima canção. Águia Pequena, revela a grandeza escondida dentro de cada um de nós e o modo de a exteriorizar. Ela é uma ode aos oprimidos (seja qual for o modo em que essa opressão se revele). Aos diminuídos da vida. Àqueles (que somos todos) que ainda não perceberam a grandeza da sua filiação: todos somos filhos do infinito. Vale a pena arriscar, porque vale a pena viver.

            A quarta faixa do disco inaugura a memória vivencial do passado face à fé. Entramos na fase da obra a que, seguindo o exemplo comparativo com as narrativas clássicas poderia ser apelidada de Invocação. Neste caso não são os deuses e deusas o alvo da invocação. São as fases da nossa vida humana que confluem para a presença do Sagrado em nós. Com Maria da minha infância são invocados os primórdios da fé cândida dos primeiros anos de vida que a própria vida se encarrega de ir interrogando.

            Em Alô meu Deuse Estou pensando em Deusé restabelecido o contato com a força divina após os inevitáveis momentos de dúvida e o poder missionário da redescoberta da fé é assinalado com o grande sucesso que foi Amar como Jesus amou.

            Com a Oração pelos meus amigosalcançamos a fase madura da vida. Reconhecemos a bênção do amor universal entre os seres, a inevitável distância que os trilhos de cada um impõem aos demais e, acima de tudo, o fato de apesar de termos voado juntos, um dia, não mais nos voltarmos a encontrar.

            Nesta invocação do vivido como garantia da fé se inserem Utopia e Oração pela família. Poderemos questionar, pela dolorosa experiência a que muitos seres humanos se vêm compelidos, a crítica que estas letras encerram ao divórcio, mas não poderemos deixar de referir como seria harmonioso e perfeito o mundo familiar que elas descrevem, nem esquecer que a sua mensagem se insere no coerente discurso católico que instituiu e mantém o casamento como sacramento.

            As três faixas que encerram o disco são inscritas na área da Dedicação das narrativas clássicas a que temos vindo a fazer alusão. Todo este trabalho é claramente dedicado a Deus, por intercessão de Maria e de Cristo. Começa esta última sessão do disco com a magnífica obra que é Mãe do céu morena. Com um arranjo soberbo (apanágio comum a todas as restantes canções deste trabalho) leva-nos a voz de Joanna e a palavra do Pe. Zezinho para recantos emocionais só comparáveis com a mensagem cristã. “Não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo” (Gálatas 3:28).

            Em Um certo Galileu outra novidade é introduzida para além do arranjo e da interpretação de Joanna. As duas últimas estrofes, acrescentadas recentemente pelo Pe. Zezinho a este seu trabalho tão reconhecido, recusaram-se a aceitar a idéia de que a história de Cristo Jesus terminou na injustiça da sua crucificação. Há um Cristo que, nesta canção, ao fim de muitos anos, sai da cruz, vive em cada um de nós e é em nome dele que testemunhamos a nossa fé.

            Aqui se encerraria a história deste disco, que nesta canção regressa à sempre presente temática do tema de abertura: em nome de Jesus. Mas não acaba aqui ainda esta narrativa. Correndo à parte da obra homenageada surge  a canção Valeu meu Deus, (parceria de Álvaro Socci, Léo Gulmas e Joanna). Com ela mais um grande hino de louvor ao Sagrado fica registrado. Com ela  Joanna agradece ao Criador a surpreendente coisa que é a vida. Vida que a trouxe até nós, vida que lhe deu o dom da voz, para que pudesse espalhar mais uma vez seu canto em tom de oração . Também, por isso, poderemos nós dizer:
 - Valeu meu Deus!